Um clássico indiscutível em importância histórica e poética, mas que sofre com o choque temporal e a falta de dinamismo sonoro. The Miseducation of Lauryn Hill começa no topo absoluto. A primeira metade do disco é um soco no estômago de tanta qualidade. As letras são pura poesia rimada e a fusão do rap com melodias relaxantes é impecável. Porém, o álbum sofre com a ressaca da estrutura dos anos 90. O que na época era aclamado como "coerência conceitual", hoje pode ser lida como uma linearidade cansativa. Da metade para o final, a produção insiste na mesmíssima paleta de cores musicais e batidas desaceleradas, gerando uma forte fadiga auditiva. Faixas gigantes acabam parecendo apenas "preenchimento" porque o disco não se renova sonoramente. Lauryn estica a mesma fórmula por 15 músicas. É uma obra-prima em seus picos, mas uma experiência arrastada quando ouvida por completo. Vale muito pelas faixas isoladas na playlist, mas o álbum inteiro cansa.
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