Quando eu nasci, esse album já tinha a idade que tenho hoje (23 anos). Com a veia de rock clássico ao longo de todo álbum, com pitadas de country e folk em músicas como "Setting me up" e "Wild West End", além das guitarras rápidas e técnicas como na clássica "Sultans of Swing", Dire Straits me manteve engajado do início ao fim, com o único ponto fraco sendo o seu desfecho, que embora não seja culpa da boa "Lions", passa a sensação que o álbum termina abruptamente, com mais algumas músicas pela frente que não existem. Nessa situação, só o que resta é dar o play novamente.
Um álbum que define o que é RHCP: uma mistura vibrante e enérgica de gêneros e influências, indo desde os solos únicos de rock do Frusciante, rap nas letras do Kiedis, o funk clássico do Flea ou fragmentos de jazz do Chad Smith.
Com suas 17 faixas, os Peppers passeiam por reflexões sociais como nas iniciais "Power of Equality" e "If you have to ask", relacionamentos na fantástica "Breaking the Girl", além de se permitir falar de baboseiras que não levam a lugar nenhum em "Apache Rose Peacock". Com tantas músicas, tem que se elogiar a transição entre elas, com destaque especial para a sensacional de "Suck my Kiss/I could have lied", que ajudam a manter o álbum coeso apesar de tanta experimentação.
Entretanto, apesar de tantos méritos, a duração é um problema. Por volta de "Naked in the Rain" e a já citada Apache, o álbum perde fôlego e começa a soar repetitivo, com ideias sendo reexploradas sem tanta inovação que marca o grupo. Lampejos de criatividade ainda existem na reta final, mas o cansaço começa a pesar, afetando um pouco o fator replay desse ótimo disco.
Primeira vez escutando um álbum dos Beatles, então nesse caso acho que contexto é importante. Nunca tive dúvida da qualidade da banda, nem sou maluco a ponto de negar sua influência, mas ao mesmo tempo, nunca tive muito interesse em me aprofundar na discografia do grupo, ainda mais considerando que esse é daqueles conjuntos onde você acaba conhecendo muitas músicas por osmose.
Embora ainda não tenha certeza se ouvir Rubber Soul seja o suficiente para mudar essa opinião, dá para entender melhor a notoriedade que esses músicos ganharam ao longo das décadas e que perdura até hoje. O som é muitas vezes pop, e as músicas dançantes, mas não é algo genérico. Inclusão de influências como um instrumento indiano como Sitar em "Norwegian Wood" (descoberta que fiz pesquisando mais sobre a música no google) ou versos em francês em "Michelle" trazem personalidade pro álbum e exemplificam a versatilidade da banda.
Apesar dessa característica, determinadas músicas apostam na repetição das letras para ajudar a popularizar as faixas e envolver o ouvinte (o que funciona até certo ponto, já que na segunda vez escutando já tinha vários trechos gravados na mente), mas que pessoalmente acho que perdem a mão em alguns momentos. Mesmo com a curta duração do disco, com todas as músicas tendo pouco mais de 2 minutos cada, com exceção de "You Won't See Me", algumas delas podem soar repetitivas e cansar, me fazendo desejar logo a passagem pra música seguinte. Talvez seja apenas questão de costume ou ampliar o repertório da banda, mas que me chamou a atenção com o limitado conhecimento que tenho deles.
Isso dito, curti a experiência, e talvez se torne uma porta de entrada para conhecer mais, o tempo dirá...
7.5/10
Quando essa recomendação apareceu para mim, eu fiquei automaticamente empolgado. Por influência do meu pai, que tem frequentemente algumas músicas de Supertramp na sua playlist para cozinhar (como as próprias "Bloody Well Right" e "Dreamer", deste álbum inclusive) eu já gostava e sabia da qualidade da banda, mas nunca tinha dado a oportunidade de ouvir por completo algum disco deles, e que começo é "Crime Of the Century"!
Em sua lenta introdução com "School", a banda convida o ouvinte para a jornada que terá a frente, com a música aos poucos crescendo e fazendo você ansiar por mais logo nos primeiros minutos, até que a explosão vem e ela não decepciona. Com sequências de músicas que utilizam do jazz, folk, blues e outras vertentes do rock, de teclado a guitarras e trompetes, eles conseguem criar um palco para cada uma das histórias que contam nas letras, com alguns momentos parecendo que você está ouvindo a um espetáculo teatral extremamente bem produzido ("Asylum" sendo um grande exemplo disso).
Enquanto escrevo essa "review", estou escutando pela 4⁰ vez e cada vez mais convencido de que esse álbum que tem 50 anos não envelheceu um dia sequer. Destaque bônus para a capa, que é simplesmente belíssima.
Se esse álbum é impecável e meu pai tem um excelente gosto musical? "You're bloody well right!"
É muita guitarrada em um álbum só, mas particularmente sinto que só quem toca o instrumento consegue avaliar a fundo esse álbum, já que ele é quase instrumental.
7,5 (podendo ser maior com mais algumas ouvidas).
O bom desse album generator é dar chance para artistas que eu nunca ouvi falar, e com isso as comparações ficam inevitáveis.
Music is love me lembrou a frase do RHCP "Music the great communicator", e a voz dele me lembrou a do Axl Rose (no auge, não a atual) em alguns momentos.
Cowboy Movie é, na minha opinião, a melhor do álbum, parece algo da trilha sonora de cowboy bebop e lembra Bob Dylan, ou até um Hendrix, por que não?
Mas para não ficar apenas comparando na review, o disco tem méritos próprios. Acredito que seu grande acerto seja na ambientação, com algumas músicas quase 100% instrumentais (caso de Tamalpais High, que é um monte na Califórnia), que passam um ar contemplativo, como se estivéssemos ouvindo a trilha sonora ou encerramento de uma série no qual nós mesmos construímos as cenas na cabeça.
Gosto como nessas músicas os elementos vão sendo colocados aos poucos, primeiro a guitarra, depois a bateria, depois o baixo, e assim por diante, até chegar no canto, como no caso de "What are their names", que também trazem uma camada política, ainda que sutil, para o álbum, como no apelo da frase "peace is not an awful lot to ask" da mesma música (algo que pelo o que pesquisei posteriormente, era uma característica marcante, e muitas vezes controversa, desse músico).
A viagem proposta pelo álbum como em "Orleans" acerta em nos proporcionar aquele sentimento de nostalgia por situações que não vivemos e locais que nunca visitamos, quase como se tentassemos lembrar dessa experiência assim como o autor tenta lembrar o próprio nome no título do álbum, e por esse motivo, acho que já vale o play.
8/10