Estreia não só do Black Sabbath mas também de um dos gêneros mais influentes dos últimos 50 anos, o Heavy Metal. É bom por isso em contexto já que, ao ouvir esse colosso de álbum, fica claro suas raízes no blues e no rock psicodélico da época, mas com os sons mais encorpados e graves, o que, esteticamente, viria a casar perfeitamente com o seu tempo, já com uma derrocada do movimento Hippie, do Summer of Love e com as pessoas cada vez mais cientes dos horrores que os governos imperialistas do mundo, principalmente os Estados Unidos, estavam fazendo, em especial na Guerra do Vietnam. Era um mundo mais sombrio, nada mais representativo que uma banda chegando e colocando, na primeira música de seu primeiro álbum, uma imagética tão forte que causasse medo a um mundo abandonado por seu deus. Embora desde 1970, ano de seu lançamento, a música e os gêneros mais agressivos do rock já tenham evoluído muito além do que se podia imaginar naquela época, o S/T do Black Sabbath é, além de objeto histórico de importância incalculável, um álbum que, assim como um filme de terror clássico, ainda encanta em suas revisitas e surpreende no seu pioneirismo.
Um dos álbuns mais lindos que eu já escutei.
A afluência sonora e temática de tudo que a banda já tinha sido até então. Com certeza um dos melhores discos de rock da história que até hoje se mantem empolgante e único.
Um dos marcos que passou o rock americano de uma "evolução" do blues para um estilo mais pop, não a toa até hoje é um dos álbuns de estreia mais vendidos. É deslumbrante de certa forma, mas é vazio, e não muito diferente da sonoridade de Aerosmith, Journey, Van Halen ou qualquer outra da seara. Ao menos só possui musicas agradáveis que, mesmo irritando minimamente, conseguem segurar eles para passar como ok o projeto. Definitivamente uma das coisas mais anos 70 americano já feitos.
Um dos álbuns que mais parecem estar em ressonância com o zeitgeist de seu lançamento que eu já escutei. Soul, funk, psicodelia, tudo isso enquanto cantam letras sobre direitos civis, igualdade entre raças e tudo mais que o movimento Hippie carregava consigo naqueles tempos de Woodstock e de Harlem Cultural Festival. Incrível e ainda dançante até hoje, mais um disco muito bom para sair naquele ano mágico de 69.
O álbum de estreia do Jack White traz muitos dos elementos que ele já mostrava interesse durante sua fase do White Stripes e até mesmo do The Racounteurs, como uma certa experimentação com a guitarra, letras ambiciosas e uma clara inspiração no blues e folk adaptados a sua maneira. Não é como se tivesse algum ponto extremamente negativo nesse projeto, mas não me parece um trabalho extremamente inovador ou que consegue surpreender, mesmo que em toda faixa tenha alguma surpresa, ao menos ele soa bem nos meus ouvidos e, apesar de naquela época o Jack White já ser um dos nomes mais consolidados do Rock alternativo contemporâneo, querendo ou não como debut solo é quase como um recomeço para ele, e nesse sentido ele parece ter apostado seguro para fazer apenas um bom álbum.
Nunca tinha ouvido nada do Willie Nelson, então foi uma surpresa ter ido esperando um country e ter vindo um álbum de folk excelentemente produzido, com belas letras (tudo bem que todas as músicas são covers), um boa ambientação mas, infelizmente, meio monótono. É um projeto que tem alguns pontos altos e quase nenhum baixo, mas no geral não empolga muito, apesar de ser gostosinho de ouvir.
Uma surpresa enorme esse álbum da The Allman Brothers Band, cujo eu nunca tinha escutado nada, e simplesmente me vieram com um dos melhores álbuns ao vivo que eu já ouvi. Energia, psicodelia, improvisação e uma mistura linda de Blues, Jazz, Country e Rock, definitivamente se sustentam mesmo depois de diversas transformações na música nesses últimos 50 anos, algo que soa ao mesmo tempo como um Bitches Brew do Miles Davis, projetos como o In the Court of the Crimson King e Red do King Crimson e, principalmente como o Birds of Fire do Mahavishnu Orchestra, mesmo sendo 2 anos anterior. Fantástico e se tornou um dos favoritos de minha vida.
Inspirado no sucesso que o The Beatles já estava fazendo desde o ano anterior, é de se imaginar que outras gravadoras fossem procurar outras bandas com o mesmo estilo e, assim, a Decca Records, a mesmo que havia esnobado os próprios Beatles anteriormente, viu esse nesse grupo de 6 jovens a possibilidade de tentar desfazer esse erro. Infelizmente, assim como o quarteto de Liverpool nessa primeira fase, a música não é nada de mais, não passando muito de um álbum ok, bem pasteurizado e com as composições sendo a de sucessos de blues e rock feitos por negros americanos, só que agora com feições de jovens galãs britânicos. Ainda bem que os Rolling Stones vieram a fazer projetos mais interessantes, porque é óbvio que se eles não tivessem atingido o patamar que eles atingiram, esse álbum não estaria nessa lista, e de o "LP de estreia de uma das maiores bandas da história" seria apenas uma curiosidade sobre uma banda que se vendia como "England's Newest Hit Makers" que teve um sucesso na época e nada mais.
Os Beatles do Soul, como chegaram a serem descritos no período, a The Temptations em 1969 lançaram esse álbum que era uma partida do seu estilo clássico, motivadas pelo novo paradigma que alguns nomes, como Sly Stone e sua família, estavam criando na música da época e pela saída de um dos seus membros, o David Ruffin. Com isso, eles adentraram no Soul Psicodélico, pero no mucho, ainda mais considerando que somente o primeiro lado do disco parece ter assumido 100% esse novo estilo, com o segundo, bem mais fraco, soando muitas vezes como um Soul beirando o genérico que a Motown fazia na época, mas com carisma bom o suficiente para não afetar tanto minha avaliação sobre esse álbum. Apesar da inconsistência de ser extremamente top-heavy, ainda é um bom álbum.
Mesmo que ela discordasse de ser categorizada assim, é inegável que a Sarah Vaughan é uma das 3 maiores cantoras femininas de jazz da história, junto com Ella Fitzgerald e Billie Holiday. Nesse álbum ao vivo no lendário clube de Chicago Mister Kelly, talvez seja o mais descontraído e leve que ela chegou, levando as músicas com uma leveza, espirituosidade e até mesmo improvisação (ela fazendo quase um scat enquanto diz que não sabe a letra de algumas músicas é muito engraçado e só melhora a experiencia) , enquanto faz parecer casual uma performance vocal de fazer inveja a qualquer um. Muito bom.
O que era o álbum mais inesperado e sui generis do Marvin Gaye até então se tornou seu Magnum Opus, e não à toa. O conceito, a experimentação instrumental quase jazzística (principalmente na música Right On, que também absorve elementos de música latina), a produção suave que faz as músicas passarem como se fossem uma só e as letras, que até então na carreira do cantor eram muito focadas apenas em romance, agora tomam liberdade para discutir a sociedade americana na época, após a queda da contracultura e a desilusão que todos estavam sentindo, mas chamando de maneira encantadora para que se supere o derrotismo e volte a se lutar pelo que é justo.
Talvez um dos últimos grandes álbuns com um som puxado ao punk da era Reagan, Sister, 4º álbum do Sonic Youth, que surgiu naquela primorosa cena do No Wave novaiorquino na década de 80, já mostrava uma tendência de mudança no som que iria culminar no Magnum Opus deles, vindo a definir o indie rock para sempre, de 1 ano depois, o Daydream Nation. Com isso, nessa mistura entre os sons mais brutais e dissonantes possíveis e estruturas mais clássicas do rock cantadas com melancolia típicas do pós-punk, tem-se um álbum delicioso de ouvir e que, tirando o cover de Hot Wire My Heart, que é bem fraquinho, um projeto em que todas as músicas são, ao mesmo tempo, íntimas e cheias de energia, seja descontruindo baladas como no dueto de Cottom Cottom, criando letras baseadas na ficção científica de Phillip K. Dick ou, óbvio, com música incisivas e ensurdecedora como a maravilhosa Stereo Sanctity, minha favorita.
Como minha familiaridade com a música eletrônica é bem pífia, com um conhecimento ok só dos mais consagrados do gênero como Aphex Twin, Daft Punk e, mais recentemente, o Porter Robinson, sinto que eu não sou muito capaz de opinar tudo o que eu gostaria sobre a técnica usada aqui e sua relevância no contexto histórico, como eu faço com os ostros álbuns de gêneros que eu já ouvi mais. Dito isso, é um eletrônico psicodélico que me agradou muito, com as 6 primeiras músicas sendo produzidas para fluírem como um grande medley e as outras 5 com experimentos em samples, sirenes e efeitos sonoros bombásticos que parecem derreter em ácido sonoramente que, em sua maioria, são bem sucedidos e com certeza uma das melhores coisas que eu já ouvi nesse estilo. Talvez um pouco incoerente, inchado e com 1 ou 2 músicas que não despertam muita coisa, é um álbum muito bom e aparentemente incontornável para começar a se familiarizar com a música eletrônica.
Meio que não tem como ficar muito melhor no gênero do Folk. Uma voz linda, com instrumentais quase sempre austeros e suaves, com letras às vezes de amor, às vezes críticas à sociedade de seu tempo (que infelizmente, apesar do cinismo que algo tão frontal seria recebido hoje, não deixa de ser atual). Ótimo álbum de estreia da Tracy Chapman.