Lançado em 1977, Low pode estar abaixo do que a discografia de David Bowie tem de mais acessível, mas isso não é necessariamente um demérito. Na verdade, um dos seus maiores acertos justamente por desafiar o que se esperava dele. A influência de Brian Eno é sentida em cada textura sonora, e não à toa: o disco carrega elementos que mais tarde seriam fundamentais na carreira de artistas como David Byrne.
Low é um dos trabalhos menos comerciais de Bowie, e talvez por isso cause certo estranhamento numa primeira audição. Mas o curioso é como esse estranhamento não envelheceu. Hoje, principalmente na cena indie, o que mais se vê são discos que bebem diretamente dessa fonte experimental. O álbum funciona como uma colagem alucinante de art rock, mas também como um retrato sonoro de um dos períodos mais sombrios da vida de Bowie.
Fugindo dos Estados Unidos após atingir o fundo do poço com o vício em drogas, o artista se refugiou na Berlim "murada", e esse cenário de isolamento e reconstrução está presente em cada faixa, principalmente nas instrumentais.
Apesar disso tudo, está longe de ser meu favorito do Bowie. É um experimentalismo que, num primeiro momento, não me conquista, diria que é até progressivo demais para o meu ouvido. Mas reconheço sua grandeza. Talvez eu e Low estejamos apenas em fases diferentes.
À primeira vista, Songs From the Big Chair (85) é daqueles discos que facilmente consideramos entre os melhores de todos os tempos. Afinal, temos aqui uma seleção de músicas que se tornaram fundamentais para a indústria musical dos anos 80," sendo Everybody Wants To Rule The World" e "Head Over Heels" exemplos perfeitos desse legado.
No entanto, depois de tantas audições, acabei saturando. É um movimento parecido com o que sinto ao escutar Queen: reconheço a grandiosidade, mas não suporto mais a maior parte. E olha que seria muito injusto, para não dizer absurdo, classificar este disco como ruim.
Talvez seja o preço de músicas tão icônicas: elas se desgastam justamente por serem grandes demais. O que não tira o mérito de Tears For Fears ter entregado um dos álbuns mais influentes de sua década.
É curioso como este álbum não me conquistou na primeira audição, e hoje está entre as coisas mais legais que já ouvi. Não é o meu favorito da banda, mas entendo perfeitamente quem o eleja como o primeiro. Soa revolucionário e muito à frente do seu tempo; décadas depois, ainda poderia facilmente ser confundido com um disco indie atual.
Para quem não conhece o grupo, as letras podem parecer puro sensacionalismo para época, afinal, estamos em 1967 e eles escrevem sobre sexo sadomasoquista, injeções de heroína e compras de drogas em becos escuros. Mas, depois de tantas audições, acho que não. Lou Reed está apenas documentando o mundo que conhece. Ele é um gênio.
Não tenho a memória de quando escutei este álbum pela primeira vez, entretanto é um disco muito bom. Também não tenho a lembrança de pessoas comentarem sobre ele, meio que parece "subestimado". Também sinto que é o disco que com um tempo de audição ele se torne um dos meus favoritos.
Mais um disco difícil de conseguir uma nota. Lembro que escutei esse disco, talvez uns 5 anos atrás, e gostei, mas não tinha marcado tanto. Hoje, foi diferente. Esse definitivamente é um disco de rock, do estereótipo do Rockstar. Quase parece um disco de estúdio de tão bem produzido. Apaixonado por todos os solos de Guitarra. Maravilhoso.
É muito difícil escrever sobre Pink Floyd, porque sinto que irei comenter alguma injustiça, seja por não saber tanto quanto deveria da banda como por faltar adjetivos para descrever tão bem esse disco. O que eu mais gosto na banda é como tudo é tão perfeitamente coeso, não apenas neste disco, mas na discografia mesmo. O que resume a minha nota é a faixa "Shine On You Crazy Diamond". As vezes questiono como seres humanos foram capazes de criar algo como essa música.
Grace é um dos álbuns mais belos que já tive o privilégio de ouvir. A voz de Jeff Buckley é simplesmente inexplicável. Os arranjos musicais são de tirar o fôlego. Buckley possuía um dom raro: sabia exatamente como construir uma canção, como deixá-la respirar, crescer e explodir no momento certo. Cada faixa se desenvolve de forma orgânica. "Lover, You Should've Come Over" é minha faixa favorita do disco, definitivamente uma das melhores canções de todos os tempos. A progressão é paciente, quase litúrgica, e o vocal de Jeff percorre toda a extensão da dor humana com uma honestidade perturbadora. Não é apenas uma canção bonita; é uma confissão.
Um álbum que não envelhece. Uma obra que te encontra diferente cada vez que você retorna a ela.
Sgt. Pepper's foi o "primeiro disco da minha vida". Não só no quesito de compra, mas também o que eu tenho a primeira lembrança de escutar de inicio ao fim. Obviamente fiquei assustado com a ideia de como funciona um disco e principalmente pela ambição de ter conceito.
Consegui adquirir em um momento injusto, vamos dizer assim. Comprei o CD, junto ao box comemorativo de 50 anos, como uma forma de acalentar o coração por não ir ao Show do Paul McCartney.
Apesar de triste, tornou-se um dos melhores discos que eu ouvi na minha vida, e por muito tempo foi o meu disco favorito. Acho que foi aqui que minha mente transcendeu.
O inicio Sgt. Peppers/Little Help/Lucy é tão fantástico. a transição, tudo me emociona. Depois temos She's Leaving Home, impossível não chorar. E o encerramento com A Day In The Life é tudo que precisávamos. Sempre fico chocado com a troca de vocal entre Paul e John.
O maior erro aqui foi não ter Penny Lane e Strawberry Fields, seria inquestionavel como melhor disco. Engraçado como esse disco veio no momento em que eu saí da fase "amor e ie ie ie" e comecei a ter Consciência sobre o mundo. Era uma criança estranha, mas fui feliz!! Queria conseguir escrever mais, mas esses quatro rapazes fazem parte da minha vida faz tanto tempo que escrever sobre eles ficou banal, e qualquer dedicação acaba sumindo. É incrível, mágico e merece toda reverência por ter revolucionado a música.